quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A REPERCUSSÃO DOS PRIMEIROS FILMES


O público que assistiu aos primeiros filmes exibidos tinha formação, profissões e de classes sociais variadas. A princípio foram motivados pela novidade e pela curiosidade.

Mas, qual era a novidade em ver pessoas saírem de uma fábrica ou a chegada de um trem numa estação. Afinal, quase todos já haviam visto essas coisas na realidade. Mas, ao assistirem os filmes ficaram empolgados e espantados. Primeiro, pelo movimento das imagens. Depois, por observarem outros detalhes que passavam despercebidos na realidade. Quando assistiram ao filme do trem, a sensação de que ele iria sair da tela e despencar sobre o público provocou susto. Mas, um susto que trouxe mais prazer que medo.

Os comentários corriam á solta. Os comentários eram sempre elogiosos. Haviam críticas também. Esses comentários partiam das classes mais abastadas e afirmavam que os filmes eram próprios para as classes menos favorecidas.

Romancistas, poetas, dramaturgos, diretores, roteiristas, proprietários e técnicos de companhias produtoras de filmes, jornalistas, psicanalistas, engenheiros e estudantes viam as exibições com outros olhos. Viam-nas como um novo campo de trabalho que se abria em diversas áreas. Um campo de negócios e de grandes fortunas. Mas era preciso pensar e repensar tudo para melhorar e fazer tudo acontecer. E não demorou muito.

Ainda em 1896, o ilusionista francês Georges Méliès, produz um filme usando efeitos especiais. Intitulado de “Le Voyage dans le Lune” (Viagem à Lua) foi o primeiro a usar como tema as viagens espaciais e a presença de alienígenas. Era um curta metragem de 14 minutos. Em 1902, Méliès colore a mão o filme inteiro e  exibe. é considerado o primeiro filme de ficção científica da história cinematográfica.

Assistam o filme na íntegra.

 



Em 1903, Edwin S. Porter (norte americano) usa pela primeira vez a edição de imagens. Seu filme “Life of American Fireman” ou (Vida de um Bombeiro Americano), mostra um bombeiro resgatando uma mulher das chamas. Nesse filme ele mostra simultaneamente a visão da mulher sendo resgatada e a visão do bombeiro resgatando-a.

Filme na íntegra. Assistam...



Ainda em 1903, Porter produz um outro filme: “The Great Train Robbery”. Nesse filme ele mostra a cena de vários lugares. O trem é roubado e os bandidos se dão bem. Embora este filme tenha sido seu maior legado para a história do cinema, também foi muito criticado e impedida sua exibição pelas autoridades locais. Por isso, Porter precisou modificar o final por razões morais e éticas, obtendo um cunho mais educativo e mostrando que um crime não pode sair ileso.

Filme na íntegra, na versão modificada por Porter.


Em 1906, o jornalista e romancista italiano Lorenzo Ferri passa um dia inteiro nos bastidores da fábrica de filmes e escreve e publica um livro contando suas impressões. Para ele, cinema e teatro eram coisas diferenciadas. Afirma ainda que realidade e fantasias eram coisas incompatíveis.

Ainda em 1906, os filmes passaram a ficar mais longos. Na Austrália, o filme “The Story of the Kelly Gang” tinha 70 minutos de duração, sendo considerado o primeiro longa-metragem da história cinematográfica. A partir de então, cada produtor tentava fazer um filme mais longo que o outro.

Na França e em 1907, os irmãos Lafitte resolveram criar os primeiros filmes de arte. A intenção era popularizar o cinema entre as classes mais abastadas.

Em 1912, na França, é produzido o filme “Queen Elizabeth”. Na Itália, os filmes “Quo Vadis?” (1913) e “Cambiria” (1914) todos com mais de 2 horas de duração.

Veja um trecho do filme  "Queen Elizabeth", com Sarah Bernhard


Trecho do filme "Quo Vadis" 

O filme mais longo da história do cinema e exibido de uma só vez tinha 8 horas de duração. Apresentado e narrado pelo americano Charles Taze Russell, em 1914, o filme “Photo-drama of Creation” contava a história da criação do mundo e uma visão futurista com acontecimentos que ocorreriam 1000 anos a frente. Claro que esses acontecimentos futuristas se baseavam nas crenças do autor. A importância do trabalho de Russell para o cinema foi a sincronização do som com as imagens.

Até então, a França e a Itália eram os mais conhecidos, os mais poderosos produtores de filmes. Mas, veio a I Guerra Mundial e os bombardeios destruíram tudo. Esta é também a época em que os Estados Unidos começam a obter destaque no ramo cinematográfico. É quando passam a importar e a produzir diversos filmes.

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