terça-feira, 18 de abril de 2017

AS PIN-UPS

Não poderia deixar passar a década de 40 sem mencionar as PIN-UPS. O que vem a ser isso?
 

Pin-up eram modelo ou artistas de cinema bonitas, atraentes, que posavam para fotógrafos, desenhistas, ilustradores e pintores em poses muito sensuais. E estas imagens estavam presentes em calendários, cartazes, revistas, jornais, cartões postais e campanhas publicitárias.

No entanto, esta ideia não surgiu na década de 1940. Ela surgiu ainda no final da última década do século XIX, quando a moralidade da era vitoriana estava mais frouxa e a cobrança social já não era tão rígida.  É difícil precisar uma data para seu surgimento. Sabe-se que a partir dessa época, os grandes pintores iniciaram suas séries de mulheres com roupas íntimas, seminuas ou nuas. Por serem populares, ilustraram os cartazes na Bèlle Époque e na era Eduardiana.

 

Para alguns historiadores, o crédito é dado a Jules Cherét (1836 a 1932), um publicitário litógrafo francês com reputação de grande artista e se consagrou como “ pai dos cartazes publicitários modernos”. Em Paris, Cherét aprendeu litografia ainda muito jovem (13 anos) e depois cursou a Escola de Desenho. Trabalhou por um curto espaço de tempo em Londres e retornou a Paris. Em 1858, seus amigos se impressionavam com a qualidades de seus desenhos e um deles, o recomendou a um produtor de perfumes que o empregou imediatamente e financiava novos estudos de aprimoramento. Em 1881, Cherét funda a primeira Impressora Litográfica e muda-se para Chaix, onde é diretor e principal artista dessa empresa.

 

Alguns cartazes de Cherét 

 


Suas primeiras estampas são impressas com duas cores e um pouco mais tarde, com até seis cores e com letras que ganhavam uma dinâmica nova, desconhecida para a época. Cherét foi, sem dúvida, o pioneiro e o maior orientador e artista das artes gráficas de seu tempo.

Outro francês de renome e que seguiu os passos de Cherét foi Toulouse Lautrec, fazendo cartazes de belas mulheres em poses bastante provocativas. O cartaz mais famoso de Lautrec foi o da propaganda da programação do Moulin Rouge, um cabaré famoso de Paris.
 

cartazes de "Toulouse Lautrec"

 

Para outros historiadores, que tudo começou nos Estados Unidos com Charles Dana Gibson (1867 a 1944). Em 1890, o artista querendo mostrar o ideal da beleza e a sensualidade das mulheres do seu país, criou as “Gibson Girls” publicando uma série de trabalhos desenhados em revistas e jornais. Eram mulheres altas e magras, com corpos estruturais (dadas pelos espartilhos), de característica aristocrática e romântica, com nariz e boca bem desenhados e olhos grandes. Eram mulheres elegantes, bem vestidas, bem-educadas e com status social. Gibson queria mostrar a independência, a realização pessoal, a autoconfiança e o sorriso frequente dessas mulheres representantes de sua época. Essas imagens também foram muito utilizadas por uma nova forma de arte que surgia nessa época: a “art noveau”. Dizem também que as “Gibson Girls” foram as precursoras das Pin-Ups que conhecemos hoje.
 

as "Gibson Girls"

 

Esses cartazes com mulheres belas, fortes e de personalidade marcante se tornaram muito populares, servindo de inspiração para muitas jovens americanas que queriam se parecer com elas.

 

 

as "PIN UPS" dos anos 40

 

 


O termo Pin-Ups surge em 1941, nos Estados Unidos. Pin-ups significa, em inglês, “pendurar nas paredes”. Assim, era comum entrar num estabelecimento (principalmente de frequência masculina) e um ou vários calendários ou posters das pin-ups em poses “picante” e sexualmente provocativas. Os desenhos mais “comportados” eram destinados à exibição mais informal, como nos jornais e revistas.


COMO ERAM FEITOS ESSES CARTAZES


O artista batia uma foto de uma modelo ou atriz famosa. Depois fazia o desenho da foto em tamanho maior ou menor dependendo da utilidade. O fundo não era o mais importante. A modelo, sim. Depois colocavam o fundo. Na época da Segunda Guerra, os armários dos soldados norte-americanos estavam repletos desses cartazes e calendários.
 

As pin-ups de Patrick Hitter

 

Na Inglaterra, o artista mais famoso foi Patrick Hitte. Nomes como Gil Elvgren, Alberto Vargas, George Petty e Art Frahm tornaram-se artistas especializados neste gênero de arte. Algumas mulheres também  merecem reconhecimento como Olivia de Berardinis, Luma Rouge, Fiona Stephenson, Zoe Mozert, Joyce Ballantyne Brand, Pearl Frush, Jennifer Janesko, Ruth Deckard e Bunny Yager.

 

os beefcakes

 


A expressão cheesecake” nada mais é do que um  sinônimo de “foto pin-up”. Seu uso data de 1934, muito ante do uso do termo Pin-Up, numa espécie de anedota ou gíria inglesa “better than cheesecake” que se pode traduzir para o português como “um verdadeiro pitéu ou coisa parecida. Hoje em dia, há homens considerados Pin-ups. Entre eles, Brad Pitt. Nessa anedota ou gíria, ele seria beefcake (ou bofe, na gíria brasileira).


As PIN-UPS  de Rion Vermon

 


Recentemente, Rion Vermon tem explorado o gênero Pin-Ups, fundindo  a clássica garota pin-up com as Histórias em quadrinhos  de super-heroínas e cartoons.

sexta-feira, 31 de março de 2017

ANOS 40 E A SEGUNDA GUERRA

 
De ambos os lados, o treinamento das tropas era intenso.

Desde 1937, a Europa já se preparava para a anunciada e esperada Segunda Guerra Mundial. Por causa disso, a moda já trazia uma tendência militar com algumas adaptações para serem mais funcionais no cotidiano. E as já se preparavam parra tempos difíceis. Em meados de 1938, as rádios europeias incentivavam as pessoas eram incentivadas a racionar e reciclar as roupas em suas próprias residências para economizarem o mais que pudessem. As roupas deveriam ser práticas, versátil e pouco ostensivas para não despertarem a atenção dos invasores.

Uma onda de escassez de produtos (tecidos) acontece por toda a Europa, principalmente na França, o ponto mais visado pelas tropas inimigas. E a moda deixa de ser uma necessidade. Os produtos agora desviavam o rumo dos grandes ateliês para seguirem para as fábricas de produtos para uso dos soldados, como na confecção de uniformes, paraquedas e outros materiais necessários (gazes, curativos, lençóis para hospitais etc).





Mas a moda caseira, não deixou de trazer uma certa tendência de moda. Os ombros arredondados, mangas largas, corpetes com cintura modelada que deixavam a silhueta estreita e com a cintura bem marcada. As saias eram retas e para facilitar o movimento ao andar de bicicleta (outra tendência por razão econômica) as saias tinham pregas invertidas. Era uma moda que muitas vezes eram inspiradas nos trajes dos camponeses   e até mesmo, da era medieval.



Em 1939 tem início com a invasão alemã em terras francesas, tudo piorou. Como curiosidade, as mulheres já faziam uso das meias de nylon desde meados da década de 30. Porém, nos anos que antecederam e durante a guerra, por causa do nylon ser utilizado para fins militares, encontrar um par de meia era extremamente difícil. E quando encontravam eram muito caras. Pela dificuldade em achá-las e por falta de dinheiro, as mulheres passaram a costurar as meias na parte de trás em forma de uma risca (o leg-paiting). Com isso, as pernas ficavam mais definidas. Além do mais, os homens adoravam vê-las com essas meias e teciam elogios ao charme de quem as usava. Mas não era fácil para, sozinha, colocar a risca no lugar certo. Sempre precisavam a ajuda de alguém (irmã ou amiga).



Mas de uma coisa não abriam mão: os chapéus. Produzidos agora em tamanho menor. No entanto, no tempo da guerra eram muito caros. Para substitui-los passaram a usar lenços, redes e turbantes. Esta nova moda de cobrir os cabelos era também mais prática para o trabalho nas fábricas. E podiam ser usados em outras ocasiões.

 
Opções para a falta e o custo dos chapéus.


Nas fábricas, as mulheres não podiam usar brincos, cintos ou deixar os cabelos soltos. E passaram a usar bandanas, lenços e o snood (rolos feitos com cabelo). As calças compridas usadas apenas em esportes como a montaria, passou a ser mais usada em todos os momentos  o que passou a ser uma novidade.

Veronica Lake

Com a escassez de roupas, os penteados e maquiagens receberam destaque. Cabelos mais longos ou a altura dos ombros inspirados em Veronica Lake era usado pela maioria das mulheres. Por muitos salões de beleza, por serem fechados ou por estarem destruídos pelos ataques aéreos, as mulheres encontraram nos grampos uma forma de prendê-los ou para formar os cachos. As unhas perfeitamente pintadas ficaram para trás e apenas eram polidas.

A MODA MASCULINA

  



Não houve muitas alterações. Os civis continuavam a usar os ternos. Os mais jovens podiam optar pelo uso do paletó sobre a camisa, o traje completo com paletó e colete ou, simplesmente, o colete sobre a camisa e que ficavam sempre muito elegantes. Os mais simples (pobres) preferiam a calça comprida e camisa.  Os mais chiques usavam um terno com corte mais requintado.  No inverno, uma jaqueta ou sobretudo os agasalhava. No entanto, o chapéu era indispensável. Os soldados, obviamente, usavam fardas.

quinta-feira, 16 de março de 2017

A MODA DE 1930 A 1940

Greta Garbo

Foi na década de 1930 que a atriz Greta Garbo, magra, pele bronzeada, com um visual sofisticado, sobrancelhas e pálpebras marcadas com lápis e o uso de pó de arroz claro, fazia furor no cinema e, principalmente, entre as mulheres. Todas queriam se parecer com ela e a imitavam. A partir de então, surge um novo padrão de beleza feminina.

Greta Garbo

E foi com o cinema, como seus corpos perfeitos, que serviu de referência para a disseminação desse padrão, para tormento para uma grande maioria de mulheres, cujos corpos não se encaixavam nele.

Traje de gala e esportivo

Trajes do cotidiano

Os modelos de roupas que usavam (os esportivos, os do dia a dia e os de festas se popularizavam entre as mais magras. Outro tormento, foi que, esses modelos não ficavam tão bem nas mais "cheinhas". Mas ainda assim, esses modelos, principalmente, os esportivos como o short para andar de bicicleta, se tornaram muito populares e sendo usados até os dias atuais. Outra peça muito popular foram os suéteres, os pareôs estampados e os maiôs inteiros e bem mais curtos que os anteriores.

Óculos escuros: o furor da década

Um novo acessório de moda, que foi essencial nessa época, foi o uso dos óculos escuros e que eram usados por muitos artistas de vários setores, como do teatro, cinema e música.
 
 
Elegância e beleza até nos dia de chuva.

Em 1935, os sapatos foram o top dos acessórios de moda. Criadores como Salvatore Ferragamo e outros de renome internacional, lançavam suas marcas e as transformaram em impérios de luxo e beleza. 

Porém, com uma crise política e econômica na Europa, muitos desses criadores passaram a usar materiais mais econômicos como a palha, o cânhamo e materiais sintéticos. Ferragamo foi um deles. Mas ainda assim, com genialidade. Ferragamo lança também a palmilha compensada.
Materiais alternativos: sem perder o bom gosto e a elegância

Enquanto isso, Gabrielle Chanel continuava como a maior estilista de Paris, seguida de Madeleine Vionnet e Jeanne Lanvin. Na Itália surge Elsa Schiaparelli no cenário da moda. Esta surpreende com suas peças inspiradas no surrealismo. 

GENTE DA MODA (1930)

 
                                         Madeleine Vionnet

 
         Jeanne Lanvin                      Mainbocher     

          
Elsa Schiaparelli
  
Desponta para o sucesso um estilista americano: Mainbocher. Suas roupas eram mais sérias e elegantes, insperadas no corte enviezado realizado por Vionnet. Desta maneira os corpos femininos retomam sua valorização, principalmente os seios (ou mamas como é usado atualmente) que suas formas tornam a ganhar valor. E aquelas que os tinham muito grandes ou muito pequenos passaram a fazer uso dos sutiãs para lhes dar forma. Voltam também as cintas (uma nova espécie de espartilho) mais flexíveis que davam mais naturalidade aos contornos do corpo.



Moda para todas as ocasiões

 

Moda festa


Vestidos de Madeleine Vionnet

Nesta década, a moda era clássica simples, harmoniosa, natural e valorizadora do corpo feminino. No final da década, em 1939, com a situação política agravada e prenúncios de uma nova guerra, a tendência da moda foi uma linha mais militarizada, preparando a população europeia para os tempos difíceis que estavam por vir. Surgem as saias com aberturas laterais para facilitar o uso em bicicletas.

 

Porém, muitos estilistas, preocupados com a eminência de uma guerra, fecharam seus ateliês ou mudaram-se para outros países.

MODA MASCULINA


A moda não teve grandes alterações. Apenas perdeu o colete no cotidiano, mas podia ser usado em ocasiões especiais. O uso de chapéu e gravata era essencial. O uso de óculos escuros não pegou muito entre os homens comuns. Seu uso se restringia mais aos artistas.